Muro de Berlim do Twitter x Grande Muralha da China

Em 2009, autoridades chinesas bloquearam o acesso ao Muro de Berlim do Twitter dentro da China após uma enxurrada de tweets pedindo pelo fim da censura na internet, escreve Judith Bruhn.

O caso

Para celebrar o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, o Kulturprojekte Berlin GmbH e o construktiv GmbH desenvolveram o Muro de Berlim do Twitter. De 20 de outrubro a 15 de novembro, usuários do mundo todo foram convidados a compartilhar seus pensamentos sobre a queda do muro, suas esperanças para o futuro e suas visões pessoais sobre outros muros que também deveriam cair.

Três dias depois do lançamento, o primeiro tweet chinês apareceu com pedidos pela queda da “Grande Muralha”, expressão criada em referência ao controle que as autoridades chinesas têm sobre a internet e as constantes censuras. A esse tweet seguiram-se inúmeros outros vindos da China e pedindo o fim dos bloqueios na internet. “O destino dos muros é serem escalados e demolidos, sejam eles tangíveis ou intangíveis, não havendo exceções quanto a isso!”, escreveu o usuário suddenlight em 25 de outubro de 2009. Quase 40% do total de tweets (que passavam de 7.500) estavam escritos em Chinês. Três dias depois, as autoridades chinesas bloquearam o acesso ao Muro de Berlim do Twitter dentro da China.

Opinião do autor

Ao contrário do Muro de Berlim original, o do Twitter não servia como um método de limitação da liberdade, mas sim como um fórum para compartilhar, trocar idéias para além das fronteiras e limites. Os chineses usuários de internet transformaram o Muro de Berlim do Twitter numa vitrine de seus protestos contra a censura. De forma parecida com o ativistas chineses de Pequim que escreveram críticas no Muro da Democracia em 1978, os internautas agora resolveram se expressar num muro virtual. O muro foi eliminado rapidamente pelas autoridades chinesas, assim como o muro físico de 1978 também o foi.

Os tweets não pediam por uma revolução; nem mesmo eram tentativas de derrubar o governo. Assim como o usuário “suddenlight”, eles pediam por liberdade de acesso e compartilhamento de informações na internet. O bloqueio não é justificável, mas serve para ilustrar os contínuos protestos dos chineses contra a “Grande Muralha” da China.

- Judith Bruhn

Leia mais:


Comentários (0)

As traduções automáticas são feitas pelo Google Translate. Essa ferramenta pode lhe dar uma idéia aproximada do que o usuário escreveu, mas não pode ser considerada uma tradução precisa. Por favor, leia estas mensagens levando isso em conta.

  1. O seu comentário aguarda moderação.

    Twitter accounts and posts should be accessible for everyone, not excluding individuals or nations. The platform is about the freedom of speech and expression but the Chinese reaction is obviously not surprising although
    Article 35 of the Chinese constitution promises the right to “freedom of speech, of the press, of assembly, of association, of procession and of demonstration.” But the provision has absolutely no teeth. For one thing, the constitution also prohibits doing anything contrary to state interests, which seems to include dissent. Second, and more fundamentally, the rights enumerated in the Chinese constitution are not enforceable unless the national legislature makes them so by passing a supplementary law.
    Blocking the “Berlin Twitter Wall” for its nationals, China surpresses protest for a certain time which will eventually come up again and again.

Deixe um comentário em qualquer língua

Destaques

Deslize para a esquerda para navegar todos os destaques


Liberdade de Expressão em Debate é um projeto de pesquisa do Programa Dahrendorf para o Estudo da Liberdade de Expressão, do Colégio St Antony's na Universidade de Oxford. www.freespeechdebate.ox.ac.uk

A Universidade de Oxford