Jerry Springer e a blasfêmia difamatória

O programa de televisão “The Opera” apresentado por Jerry Springer na BBC recebeu vários protestos de grupos cristãos em 2005. Maryam Omidi discute se a BBC estava certa em exibir o programa.

O caso

O programa de televisão “The Opera” apresentado por Jerry Springer na BBC recebeu vários protestos de grupos cristãos em 2005. Falando a BBC, um manifestante disse: “deve haver liberdade de expressão, mas nunca podemos admitir ataques a questões sagradas”. Um total de 63 mil pessoas reclamaram do programa, muitas antes mesmo de ir ao ar, por fazer uso de linguagem obscena e blasfêmia. As reclamações mencionam o número de vezes que palavrões (“fuck” e “cunt”, num total de 400) foram utilizados enquanto contracenavam vários personagens, incluindo um Jesus de fraldas que se dizia “um pouco gay”.

Três dias depois da transmissão do programa, o produtor de rádio Antony Pitts pediu demissão alegando que a BBC havia infringido suas próprias diretrizes e ignorado as reclamações dos telespectadors. O diretor-geral da BBC, Mark Thompson, apoiou a decisão da empresa de veicular o programa: “Sou cristão praticante, e não vi nada que possa ser considerado blasfêmia naquele programa”.

Uma organização, Christian Voice, tentou processar a BBC por blasfêmia, mas sem sucesso, pois dois juízes do tribunal superior decidiram que emissoras e teatros não podem ser julgados sob essa acusação. Os juízes disseram ainda que  o programa era uma paródia de Jerry Springer (um programa anglo-americano) e não do cristianismo, e portanto o programa não estava blasfemando.

Opinião do autor

Eu concordo plenamente com a decisão da BBC de transmitir o programa de Jerry Springer. A BBC está certa ao pensar que o programa seria de grande interesse da população, já que é baseado num musical britânico homônimo bastante premiado. Sendo um serviço público de televisão, a BBC tem a obrigação de veicular programas que tenham um apelo para uma audiência diversificada. As 63 mil pessoas que reclamaram são apenas uma fração das 24 milhões que pagaram para ter acesso aos programas da BBC em 2005.

Além disso, a empresa deu advertiu de forma adequada sobre o conteúdo do programa antes de transmití-lo – e qualquer um que se sentisse desconfortável com o assunto em questão poderia optar por não assistí-lo. O fato de milhares de reclamações terem sido feitas antes mesmo do programa ir ao ar também aponta para reações automáticas quanto à temas religiosos que podem parecer ofensivos. Muitos dos que criticaram e queimaram os “Versos satânicos” de Salman Rushdie disseram que não se deram ao trabalho de ler o livro. Esse caso da BBC também levanta uma outra questão interessante: se a paródia fosse relacionada a temas do islamismo ao invés do cristianismo, teria a BBC transmitido o programa?

- Maryam Omidi

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Comentários (2)

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  1. I was recently reminded that at the time of this great fuss the British Gov were trying to get legislation onto the statute books to create a new offence: Incitement to Religious Hatred. This context undoubtedly encouraged religious groups to vent their wounded feelings and try to prevent someone else from speaking (the almost simultaneous Sikh protest against the play Behzti even resorted to violence and death threats). This is a good reason why legislation should NOT be brought into the arena – it brings out the worst in us.

  2. On the one hand the author says the Jerry Springer programme gave sufficient warning before it was aired, so “anyone who felt uncomfortable with the subject matter could choose not to watch it”, whilst on the other hand the author argues how “most of the burners of Salman Rushdie’s The Satanic Verses had reportedly not even read the book”. So citizens of religious faith have to watch/read offensive material before they can criticise it and yet should at the same time not criticise because they weren’t forced to watch it in the first place and should have chosen not to.

    Living this contradiction is fine for only a few. More heed should be taken on the question of what a good religious citizen should do when confronted with public and sustained humiliation. At the moment, free speech principles seem to comply only with those who follow a liberal norm and a liberal lifestyle.

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