Liberdade de Expressão em Debate

Treze línguas. Dez princípios. Uma conversa.

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1Nós seres humanos devemos ser livres e ter as garantias necessárias para expressar, receber e buscar informações e ideias, independentemente de fronteiras.»
2Defendemos a internet e todas as outras formas de comunicação contra os abusos ilegítimos tanto do poder público quanto da iniciativa privada.»
3Exigimos e criamos mídias abertas e diversificadas que possam nos ajudar a tomar decisões bem informadas, e com isso participar plenamente da vida política.»
4Falamos abertamente e com civilidade sobre todas as diferenças entre os seres humanos.»
5Não permitimos que tabus interfiram na discussão e disseminação do conhecimento.»
6Não fazemos ameaças de violência nem tampouco aceitamos intimidações violentas.»
7Nós respeitamos a pessoa que tenha uma crença religiosa, mas não necessariamente o conteúdo dessa crença.»
8Temos o direito a uma vida privada mas devemos aceitar investigações que sejam de interesse público.»
9Devemos ter meios de combater ofensas às nossas reputações sem com isso silenciar um debate legítimo.»
10Devemos ser livres para questionar todos os limites às liberdades de expressão e informação que tenham como justificativa questões do tipo: segurança nacional, ordem pública, princípios morais, proteção de propriedade intelectual, entre outras.»

O que falta?

Há alguma área vital que não mencionamos? Talvez um princípio 11? Um estudo de caso iluminador? Leia a sugestão de outras pessoas e deixe seu comentário aqui. Ou comece um debate na sua própria língua.

Timothy Garton Ash | Uma explicação

Liberdade de expressão e vida privada

Imagine que tudo que você expressa para a pessoa que lhe é mais próxima, nos seus momentos mais íntimos, são imediatamente postados na internet para que o mundo inteira veja. Isso não seria somente um pesadelo, mas também um mecanismo que afetaria a sua liberdade de expressão. Qualquer um que já tenha vivido em um Estado ditatorial ou policialesmo sabe que as pessoas deixam de dizer o que pensam por medo de que alguém mais esteja escutando. Assim, a privacidade não é apenas um limite importante e legítimo à liberdade de expressão. A privacidade é uma condição para a liberdade de expressão.

O que é privacidade? O que é interesse público?

O nosso oitavo esboço de princípio identifica a principal razão para que se possa interferir em assuntos privados: o interesse público. A questão então é definir o que é privacidade e o que é interesse público. As respostas não são simples.

Todas as culturas humanas conhecidas tiveram alguma noção de privacidade, mas o que é considerado privado varia enormemente de acordo com épocas e lugares. Os bons cidadãos de Éfeso, antiga cidade romana, sentavam-se juntos para defecar. Na Alemanha contemporânea, a nudez em parques públicos é aceita, contrariando o que acontece na maioria dos outros países. Clique aqui e diga o que significa privacidade em seu país.

Em geral, a maioria dos países europeus têm uma definição mais ampla de privacidade, e estão mais dispostos a reduzir a liberdade de expressão para defendê-la do que os Estados Unidos da América. Um julgamento na corte francesa em 1970 diz explicitamente que o artigo que trata de privacidade no código civil do país protege “o direito que cada um tem sobre seu nome, sua imagem, sua intimidade, sua honra e sua reputação, sua própria biografia, e o direito de ter um passado de transgressões esquecido”. Dominique Strauss-Kahn talvez esteja satisfeito com isso. Mas será que não houve um interesse público genuíno entre os eleitores franceses em saber sobre os registros de mau-comportamento em relação às mulheres de seu provável candidato a Presidente?

No entanto, a definição de interesse público é algo bastante controverso. Editores de jornais sensacionalistas e websites de boatos e fofocas justificam como interesse público as revelações sobre a vida íntima de jogadores de futebol ou celebridades. Contudo, interesse público não é a mesma coisa que “aquilo que interessa ao público” – e que é usado para alavancar a venda de jornais ou o número de acessos a um website. Se essas duas definições fossem equiparadas, o resultado seria que celebridades não teriam privacidade alguma, já que algumas pessoas estão interessadas em todo e qualquer aspecto da vida delas. Há uma discussão muito útil sobre o que não significa interesse público aqui. Obviamente, pessoas que são figuras públicas devem esperar que suas vidas privadas sejam mais devassadas que a de outras pessoas. Ainda assim, teríamos que definir o que é uma figura pública.

Como tantas vezes acontece com a liberdade de expressão, o contexto é tudo. Se eu tiver relações sexuais com outro adulto que não é meu parceiro publicamente reconhecido, isso é uma questão privada. No entanto, se eu sou um pastor influente, louvando constantemente a santidade do casamento, a mesma questão se torna de interesse público. Se um(a) ministro(a) da Defesa tem um (a) amante, isso é uma questão privada; se esse(a) amante é agente de um país inimigo, torna-se uma questão de interesse público. Se eu possuo ações de uma empresa de petróleo, isso é uma questão privada; se eu sou um funcionário do governo, responsável por distribuir contratos lucrativos para empresas de petróleo, então a minha participação na empresa se torna uma questão de interesse público, mas meus outros investimentos podem continuar não sendo. Se eu tenho uma debilidade que faz com que eu tenha dificuldades em fazer simples operações aritiméticas, isso é um problema pessoal; mas seu eu sou o secretário de fazendo de uma cidade, isso torna-se um questão de interesse público (mas talvez somente para as pessoas dessa cidade, não para o mundo todo). O fato de alguém de tido más avaliações na escola ou universidade é uma questão privada; mas se essa pessoa é candidato a Presidente dos EUA, isso se torna de interesse público.

Existem milhares de julgamentos individuais a serem feitos não somente por juízes em cortes de direito, mas por editores, professores, empregadores, médicos e cada um de nós. No entanto, o princípio básico não é complicado. Podemos equilibrar o interesse público com a vida privada caso a caso.

“Já não existe mais privacidade. Temos que esquecer esse conceito e seguir em frente.”

A era da internet, no entanto, tem transformado as condições em que mantemos esse equilíbrio. Informações pessoais que há quarenta anos seriam mantidas em uma ou duas empoeiradas cópias em papel são hoje em dia armazenadas eletronicamente – e ao menos que você seja extremamente cuidadoso tecinicamente, o acesso a essas informações estará disponível a muitas outras pessoas. Além disso, há uma vasta quantidade de dados que não existiam há quarenta anos: seu histórico de buscas na internet, o rastreamento de sua localização via telefone celular, os seus correios eletrônicos, o histórico do seu cartão de crédito. Uma pouco conhecida empresa anglo-americana de armazenamento de dados chamada Acxiom tem em seus servidores gigantes na cidade de Conway, no estado de Arkansas, até 1500 dados pessoais de 96% das famílias dos EUA de meio bilhão de pessoas no mundo.

A soma total de informações pessoais, armazenadas em computadores, sobre cada cidadão de um país desenvolvido excede até mesmo os sonhos mais extremos do Big Brother de Geroge Orwell. Essa informação (algumas parcialmente anônimas) é sistematicamente coletada e compartilhada por empresas privadas para oferecer a você publicidades e serviços personalizados – mas também para oferecer o perfil de cada usuário para anunciantes e provedores de serviços. Você usa os serviços das empresas, mas as empresas também lhe usam. “Se você não estiver pagando por alguma coisa”, afirma Andrew Lewis (sob o pseudônimo de Blue Beetle) no website MetaFilter, “você não é o cliente em questão; você é o produto a ser vendido.”

O acelerado desenvolvimento de novas tecnologias oferece cada vez mais possibilidades desse tipo. Google Street View capturou imagens de mulheres tomando sol no terraço de suas casas, quando elas achavam que estavam em suas privacidades. Google e Facebook desenvolveram tecnologias de reconhecimento facial que pode permitir que eles conectem todas as aparições de uma pessoa na internet. O sistemas de localização GPS de telefones celulares e os de identificação por radiofrequencia dos cartões magnéticos usados, por exemplo, em meios de transporte podem ser usados para rastrear um indivíduo no mundo físico, assim como nossas atividades na internet são rastreadas.

Até mesmo no países mais livres do mundo, essas informações são parcial ou inteiramente coletadas por agências de governo que se auto concederam poderes extraordinários de devassar a privacidade secretamente em nome de manter seus cidadãos seguros de terroristas, bandidos e pedófilos. Em 2010, um relatório da comissão de interceptação de comunicações da Grã-Bretanha revelou que houve 552.550 solicitações de dados de comunicações por parte de autoridades públicas que iam desde os serviços de segurança e inteligência até conselhos municipais.  Ian Brown, especialista em segurança de internet da Universidade de Oxford, commenta sobre isso aqui [link to video and other links].

Google tentou revelar algo sobre a diversidade de tais pedidos de governos de todo o mundo em seu relatório de transparência. Contudo, nos EUA existe uma ordem de segurança nacional que obriga os provedores de internet a divulgar detalhes sobre os usuários especificados e, simultaneamente, os proíbe de revelar até mesmo a própria existência dessa ordem. Quando conversei com advogados em altos cargos do Facebook e do Twitter em meados de 2011, perguntei: “mas vocês poderiam ao menos me dizer por alto quantas solicitações como essa vocês recebem?” Com uma mistura de vergonha e frustração, eles me confessaram que nem essa pergunta eles podiam responder.

A importância dessa questão é tal, que esses poderes públicos e privados agora sabem mais sobre você do que você mesmo sabe. A natureza humana sendo da maneira que é faz com que esqueçamos ou lembremos de maneira seletiva o nosso passado, principalmente um passado constrangedor. O computador, no entanto, lembra de tudo. E ainda nem chegamos às fotos e confissões que você escreveu no Facebook, Orkut, Renren, Vkontakte e outras mídias sociais.

“Já não existe mais privacidade. Temos que esquecer esse conceito e seguir em frente.” Essa conclusão drástica foi feita por Scott McNealy, executivo chefe da Sun Microsystems, uma das empresas de internet do Silicon Valley, na Califórnia, EUA. Talvez essas não tenham sido exatamente suas palavras, como acontece com muitas citações famosas, mas certamente a ideia é a mesma.

Aqui vão alguns examplos do que isso pode significar. Nos EUA, Tyler Clementi, um estudante, de 18 anos, da Universidade de Rutgers foi secretamente filmado por seu colega de quarto quando estava tendo contato íntimo com um outro homem. O colega colocou o video na internet para que qualquer um pudesse ver. Atormentado com a situação, Tyler se suicidou pulando de uma ponte em Nova Iorque. (A sua mensagem de despedida no Facebook dizia: “Estou pulando da ponte agora. Sinto muito.” Na China, os chamados “buscadores online de carne humana” identificaram e perseguiram uma mulher chamada Wang Yu, que tinha sido filmada por um amigo quando esmagava um gatinho com os saltos de seus sapatos. Quando o Google lançou sua rede social chamada Buzz, uma mulher sob o pseudônimo de “Harriet Jacobs” teve todos os seus contatos de sua conta no Gmail compartilhados com outras pessoas. O problema é que a mulher vivia escondida, se protegendo dos abusos físicos do marido e dos pais. Em seu blog, ela escreveu: “Minhas preocupações quanto a privacidade não são banais. Elas existem para garantir de fato a minha integridade física”.

O que podemos fazer em relação a isso?

Estamos contentes com isso? Se não, o que podemos fazer? Quando você se registra em um serviço de internet ou de telefone celular é muito provável que tenha que selecionou o botão “aceitar” que vinha junto com um contrato que explicava as condições gerais do serviço. Você já leu esse contrato? Eu normalmente não leio, mas se fizermos esse exercício encontraremos muitas formulações jurídicas muito abrangentes. (Infelizmente, essas condições também se aplicam a este website, mas nós tentamos comunicar a nossa política de privacidade da maneira mais clara possível).

Se acreditamos que a liberdade de expressão (e uma boa sociedade como um todo) necessita de privacidade, precisamos entender melhor ao quanto de privacidade nós estamos jogando fora. Se acharmos que a privacidade que temos não é suficiente, devemos fazer barulho e reivindicar mais. Ainda que esses prestadores de serviço tenham posições dominantes no mercado do seu país, o negócio deles depende de cada um de nós. E às vezes algumas dessas empresas respondem à pressão pública. Um protesto público forçou o Google a suspender e melhorar substancialmente a sua rede social Buzz (atual Google +), e fez o Facebook retirar de seu sistema de propaganda o Beacon, um mecanismo que enviava dados de outros sites para o Facebook com a finalidade de permitir  anúncios direcionados.

Há precauções relativamente simples que você pode tomar para reduzir a quantidade de dados coletados sobre você tanto por órgãos do Estado quanto por serviços de internet que são chamados de forma provativa por Jaron Lanier de “impérios da progaganda e da espionagem”, como o Facebook e o Google. Em parte respondendo a essa questão, o Google e outros mecanismos de busca fizeram com que as pessoas pudessem optar mais facilmente por fazer uma busca de forma mais anônima. A  Electronic Frontier Foundation, pioneira no setor, desenvolveu uma extensão para o navegador Firefox chamado “HTTPS everywhere”, que criptografa suas comunicações com uma série de sites importantes. Você pode usar um software livre chamado Tor para ajudar a proteger sua privacidade na internet.

Facebook e o “direito de ser esquecido”

Mas o que acontece se você tiver compartilhado informações sobre você na internet e agora você se arrependeu disso? O Facebook, que tem posse da maior coleção de fotos no mundo, é um exemplo dessa questão. Imagine que você se sente envergonhado de suas atitudes de quando era adolescente que aprecem em fotos que você postou no passado. Imagine que você tenha medo de uma trabalho lhe seja recusado ou mesmo que alguma universidade não lhe aceite como aluno por causa dessas fotos. Afinal de contas, sabemos muito bem que empregadores e universidades vasculham a internet para ver o que acham sobre os candidatos. O que você pode fazer?

O atual termo de direitos e responsabilidades do Facebook diz que a propriedade intelectual das fotos permanece com o usuário (IP), mas que “o usuário concede-nos [Facebook] uma licença não exclusiva, transferível, sublicenciável, gratuita, mundial para utilizar qualquer conteúdo de um IP que você postar ou em conexão com o Facebook (Licença IP). Esta Licença IP termina quando você excluir o conteúdo IP ou a sua conta a menos que seu conteúdo tenha sido compartilhado com os outros, e eles não tenham excluído o mesmo.  Ou seja, você pode apagar as fotos do seu passado, mas se essas fotos foram compartilhadas com seus amigos, então, a menos que você consigo fazer com que todos os seus amigos apaguem essas fotos, o conteúdo permanecerá online. Acho que nesse caso seria mais fácil fechar a caixa de Pandora do que conseguir essa façanha.

Você acha que isso deveria ser maid fácil? Deveríamos ter um direito mais amplo de “ser esquecido”? Se sim, o que esse direito deveria abranger? Quem poderia ou deveria ser o responsável por fazr valer esse direito? Como? A Alemanha, por examplo, tem uma lei que diz que após um certo período de tempo decorrido, as condenações criminais de uma pessoa não podem ser comunicadas. Assim como a Alemanha pós-1945, esses indivíduos também devem ter o direito de recomeçar a vida. Advogados de cidadãos alemães tentaram fazer com o que o Google reirasse documentos públicos das condenações desses cidadãos, até mesmo das buscas feitas no buscador mundial do Google. O Google, no entanto, se negou a fazer isso.

A União Europeia é, mundialmente, uma das mais influentes definidoras de normas sobre privacidade e proteção de dados. Sua Directiva de Protecção de Dados é vista como o melhor padrão mundial de políticas de privacidade. Em 2012, será debatida uma proposta de revisão da Directiva de Protecção de Dados, tendo em conta muitas das inovações técnicas discutidas aqui – e talvez introduzindo também questões como o “direito de ser esquecido”. Debateremos esse assunto aqui conforme ele for surgindo.

“Saímos por aí destruindo a vida das pessoas”

As exposições mais danosas da vida privada são, obviamente, aquelas que chegam ao alcance de milhões de pessoas através dos meios de comunicação de massa. Em meados de 2011, a Grã-Bretanha estava estarrecida pela revelação de que os jornais de propriedade de Rupert Murdoch tinham grampeado ilegalmente os telefones celulares de várias celebridades, membros da realeza e até mesmo vítimas de crimes para obter informações e publicar notícias. Mas mesmo que os objetivos desses grampos não sejam praticar crimes, as invasões de rotina na vida privada das estrelas de cinema, jogadores de futebol e outras celebridades – para não mencionar o caso de pessoas comuns que aparecem em determinadas reportagens – não estão na categoria de interesse público. Na esteira dos escândalos dos grampos Murdoch, outros casos de invasão de privacidade por parte de meios de comunicação foram relatados por celebridades como a escritora J.K. Rowling, o ator Hugh Grant, mas também por pais de crianças assassinadas ou desaparecidas. Um dos jornalistas que trabalhavam no News of the World, jornal que era de Murdoch na época, alega que Greg Miskiw, quando diretor daquele jornal, disse a ele: “Isso é o que a gente faz. Saímos por aí destruindo a vida das pessoas.” Discutimos mais esse assunto no próximo princípio, que está intimamente ligado a esse, que aborda a questão de como defender reputações.

Quando as pessoas afetatas contratam advogados para bloquear a publicação de seus dados pessoais usando o argumento de direito a privacidade, os editores de jornais protestam dizendo que é um cerceamento à liberdade de expressão. Às vezes, isso é verdade: pessoas (e empresas) ricas e poderosas querem encobrir fatos que o público deveria saber. Mas muitas vezes é uma fraude: o que os editores desses jornais chamam de “interesse público” não é nada mais que “o que interessa ao público”. Na Europa, os tribunais são obrigados a julgar caso por caso para tentar equilibrar liberdade de expressão, protegida pelo Artigo 10 do Convenção Europeia dos Direitos Humanos, e o direito a privacidade garantido pelo Artigo 8.

Mas por que a resolução deste problema ser deixada aos tribunais, depois do evento? A partir do momento que compramos esses jornais ou visitamos esses websites de boatos e fofocas, estamos incentivando a perspectiva deles. Se nós discordamos em princípio sobre essa perspectiva, mas lemos essas publicações com ávido interesse, então estamos sendo hipócritas. Michael Kinsley resume a experiência dele como editor da revista digital Slate, onde ele recebia emails protestando sobre os detalhes obcenos dos encontros sexuais de Bill Clinton com Monica Lewinsky: “Os emails deles diziam não, mas os cliques dos mouses diziam sim.”

Nessa área da liberdade de expressão, o que acontece não depende somente das ações de governos, tribunais ou legisladores, também depende do que nós fazemos. Podemos deixar de comprar esses jornais, visitar esses websites e alimentar essas redes sociais. Podemos reforçar nossos ambientes de privacidade e reivindicar outros limites. Até mesmo em um mundo tranformado e aberto por novas tecnologias de comunicação, algum grau de privacidade deve existir não somente como algo importante, mas como uma condição para a liberdade de expressão.

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Publicado em: janeiro 28, 2012 | 11 Comentários

Comentários (11)

As traduções automáticas são feitas pelo Google Translate. Essa ferramenta pode lhe dar uma idéia aproximada do que o usuário escreveu, mas não pode ser considerada uma tradução precisa. Por favor, leia estas mensagens levando isso em conta.

  1. Publicspaceshult disse:

    I don’t necessarily agree with this statement as we don’t currently have an accurate way of measuring what’s in the public interest. As a result people believe they are interested in the topics which are in the media, but these might not have been the interests they would have formed left to their own devices.

  2. Publicspaceshult disse:

    The public interest is far too fickle to consider encroachment onto privacy tolerable. Allowing it to be cherry-picked allows far too much room for abuse.

  3. Publicspaceshult disse:

    People shouldn’t be entitled to a private life if it means that they can use their privacy to cause harm to other people. What if someone used their privacy to build a terrorist following?

  4. marcel disse:

    The second part of the principle 8 is too vague to be accepted as such, without a precise definition of ‘public interest’. This is the reason why I would maintain only the first part of the principle, namely: ‘we are entitled to our private life’, as one of the fundamental human rights enshrined by the European Convention of Human Rights and the ECHR’s judgments delivered according to this.
    Any infringement of this right should be justified only either on the legal grounds concerning criminal investigations (including those relating to terrorism and more), and/or the public interest relating to public servants’ activities (public activities and private activities which could make these individuals vulnerably as regards their public status).

  5. Alex Helling disse:

    This principle is always going to be a difficult one to juggle. I agree that ‘public interest’ is very vague and could be used to justify either immense amounts of press intrusion or very little depending on where the bar is placed. But as a free speech principle enshrining the right to privacy without some way around it in the statement would seem to be doing the opposite of what much of the project is promoting. A principle of privacy would present a block on freedom of speech rather than an attempt to break down such barriers as most of the other principles do. Indeed I am slightly surprised that the principle was not more radical the other way towards there not being much right to privacy. Principle 8 seems to turn what might otherwise have been quite a radical manifesto for free speech into a much more status quo idea.

  6. marcel disse:

    I couldn’t agree more with the opinion concerning the importance of freedom of speech, but freedom of speech doesn’t mean public interest, at least not anytime. The right of private life, the public interest and freedom of speech are three legal concepts which are interconnected but different, and obviously, should not exclude each other. Moreover any right involves a correlative duty. Freedom of speech is not incompatible with the right to privacy as long as it is used without breaching the other’s rights, as they are ruled by the relevant statutes.

  7. imos.org.uk disse:

    Privacy sounds like a nice thing. If I could have a right to privacy without this interfering with free speech, then I’d be tempted. But what are we supposed to do? If I do tell someone an intimate secret, can I really be given a right to force them never to reveal this information? That sounds an awful lot like limiting free speech.

    Attempts to enforce a right to privacy can easily interfere with free speech – and free speech is more important than privacy. It shouldn’t be a question of trying to ‘balance’ a ‘right to privacy’ against ‘the public interest.’ It is not in the public interest to compromise on free speech without an extraordinarily good reason – and preventing people being embarrassed is not an extraordinarily good reason for limiting free speech. Are we really going to argue – without any trace of irony – that, in order to protect free speech, we have to force people to keep quiet about things that might embarrass other people? Very often, this embarrassment results from people being two-faced and deceitful. They want to present one image of themselves to certain people whilst the truth lies elsewhere. Should we compromise free speech in order to protect liars from being discovered?

    I am also concerned to challenge the central argument that privacy is a condition of free speech – as expressed in the top paragraph. Providing we don’t have a police state – which obviously wouldn’t have free speech anyway – the argument about a lack of privacy preventing free speech doesn’t hold water. It is true that, even without a police state, most people will still limit what they say if they think their words will not remain private. That, however, is their choice. They are not being forced to keep quiet. Their right to free speech has not been taken away. They are choosing not to share their views – usually because it doesn’t suit them for certain other people to know the truth about what they think.

    There are legitimate ways in which we can seek to protect our rights to privacy. Mainly, however, these should focus on restricting some of the more intrusive methods that people might use to gain information about us rather than on restricting how they can disseminate information they have obtained legitimately. Limiting free speech in order to protect people’s privacy, however, is another matter.

    We shouldn’t be compromising our free speech principles. When people have concerns about such things as privacy, instead of pandering to any demands they might have that free speech should be limited, we should stand by our principles and argue our case that, however much we might enjoy our privacy, free speech is far, far more important.

    • Joao disse:

      The problem is not so much that you can’t force someone to reveal your intimate secret, is the fact that it can be revealed potentially to four billion people and that it will stay there forever. You can change jobs, city, country and it will stay there. And this can have horrible consequences. That’s the main issue. The public space changes when it becomes a virtual (online) public space.

      The same goes for the concept of free speech. If you apply self-censorship (which in some cases could just be called “common sense”), then you’re restraining your freedom of speech, because you know that the perpetual and open nature of the internet can have consequences in the future. I’m all for making people responsible for their comments, but I also know that people don’t really understand how the internet works and that often they may make comments for a specific group in a specific situation which can then spilled by others and can become potentially harmful. I’m talking about hate speech as much as political, religious or any other views. I don’t agree with the balance metaphor either, but I do think that these two fundamental rights are equally important.

  8. morninghaze disse:

    Eigentlich sind die Bedingungen bei der FB-Anwendung nach amerikanischem Recht gestellt. Warum soll ich als Bürger eines europäischen Staates bei der Nutzung von FB nach US Recht behandelt werden. Hier übernehmen die social media die gleiche Vorgehensweise wie google vor einigen Jahren.

  9. Joao disse:

    First of all, congratulations for the project. It’s quite interesting.

    I agree with most of the comments above. The definition of public interest online is a very shady business, in particular because the perpetual memory of the internet can, in my view, constrain the usual definitions of the concept, mostly because anything can become of public interest at any time. You can go back years and years on end and find anything related to someone who’s suddently under the spotlight and anything that is unrelated, but still damaging comes up again, even if not in the public’s interest.

    There’s a two-fold approach to this, in my view: there’s a need for an education for privacy, in which people are taught how to behave online (and I’m not just referring to social media). We focus a lot on companies privacy policies, but we seldom talk about how the people use the internet, something which, I am sorry to say, the majority seems to know very little about. Then there’s also a need for a regulated approach to privacy, which applies to companies, but also individuals, by which one can enforce not a right to be forgotten, which is technically unfeasible so far, but a right not to be found (see for instance the recent EU Court of Justice referral regarding Google). As Prof. Schoenberg wrote in his book (“Delete”), online abstinence is not a good approach anymore, but neither is online binging, especially involving personal data.

    Finally, I strongly feel that, as difficult as it may be, a limit should be set as to how the internet – and internet-linked technologies – should enter our daily lives. This of course involves a serious reflexion on big data, profiling, data retention and so on and so forth.

  10. Malcolm Bush disse:

    Once again we are given the opportunity to read a wonderful, enlightening, thought provoking and educating article; and all the subsequent comments. This subject has been of some interest to me for some time. Please forgive me if my comments seem more than a little incredulous, and perhaps somewhat crazy. I do agree with all that is conveyed within the article. This seems to be an immensely complex subject and I am far form being anything of a writer; with no education, as you have probably gathered by now. We live in changing times, technology is advancing and making it easier to collect information of all types and also to distribute information. All this information technology has multiple uses and can be mixed with other ingredients of generic day to day life to make many byproducts. If we use Facebook we willingly give some personal details out towards strangers and whoever. We also enter a world in which we are well liked and very popular because it is the nature of Facebook to bring us smiling loyal friends and remove any who grumble or disagree with our comments. This does not require any direct action by Facebook staff or anyone else; it’s a natural process. It appears to me there are many aspects of if issue that are completely, or almost unknown to the public; but known to the rare breed of specialists. The poorly educated are helped greatly by modern information technology; but the whole mass of the general public are open to manipulation on a massive scale. If we move form one web site to another and do the same with news outlets we can find on the popular “high hit rate” sites radicalization on a large scale, people with angry opinion but no, or very little knowledge of what their anger is about. I am not very good explaining these things; but I really do believe we must beware. Terrorism and pedophiles are subjects that are genuinely profoundly disturbing; but are we being whipped into hysteria to make us proud to give up our privacy to those with surreptitious agendas. Our TV pumps out lots of propaganda which adds to the mix and sometimes encourages the giving up of more privacy. We also have a problem that all those ‘little guys’ who don’t have any real fire power and capacity to do violence; will be dealt with severely; others , state actors, private contractors and so forth are OK and will get away with anything. Much of the data collecting paraphernalia is owned and used by multiple organisations, business, civil public sector, military, intelligence gathering and so on, one way or another. We sometimes read sensational stories that make “conspiracy theories” of secret Intelligence gathering; when it’s just some day to day mundane operation. The really important issue here is should we be happy for more of our personal information to be stored, and more of our privacy given up. In my limited, but considered opinion definitely not, we cannot trust those in power, if we consider terrorism there are scandals of torture, lies and massive fraud. Look deeper and we find much more of the same going back many years.

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