Liberdade de Expressão em Debate

Treze línguas. Dez princípios. Uma conversa.

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1Nós seres humanos devemos ser livres e ter as garantias necessárias para expressar, receber e buscar informações e ideias, independentemente de fronteiras.»
2Defendemos a internet e todas as outras formas de comunicação contra os abusos ilegítimos tanto do poder público quanto da iniciativa privada.»
3Exigimos e criamos mídias abertas e diversificadas que possam nos ajudar a tomar decisões bem informadas, e com isso participar plenamente da vida política.»
4Falamos abertamente e com civilidade sobre todas as diferenças entre os seres humanos.»
5Não permitimos que tabus interfiram na discussão e disseminação do conhecimento.»
6Não fazemos ameaças de violência nem tampouco aceitamos intimidações violentas.»
7Nós respeitamos a pessoa que tenha uma crença religiosa, mas não necessariamente o conteúdo dessa crença.»
8Temos o direito a uma vida privada mas devemos aceitar investigações que sejam de interesse público.»
9Devemos ter meios de combater ofensas às nossas reputações sem com isso silenciar um debate legítimo.»
10Devemos ser livres para questionar todos os limites às liberdades de expressão e informação que tenham como justificativa questões do tipo: segurança nacional, ordem pública, princípios morais, proteção de propriedade intelectual, entre outras.»

O que falta?

Há alguma área vital que não mencionamos? Talvez um princípio 11? Um estudo de caso iluminador? Leia a sugestão de outras pessoas e deixe seu comentário aqui. Ou comece um debate na sua própria língua.

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Storyful: verificando o jornalismo cidadão

Malachy Browne, editor de notícias do Storyful, explica como a agência de notícias de mídias sociais verifica o conteúdo proveniente da internet em tempo real.

Day 17 Egypt Revolution
Cairo, Egypt, 2011 (Photo by sierra goddess under an Attribution-NoDerivatives Creative Commons licence).

O novo panorama de mídia criado pelas tecnologias de comunicação e de mídia digital nos últimos anos apresenta tanto oportunidades quanto desafios para as empresas de notícias. As audiências de 2012 não são mais consumidoras passivas de notícias – elas são produtoras de conteúdos e participantes do processo de confecção da notícia. Mas com milhões de tweets escritos a cada segundo, milhares de fotos e horas de vídeo sendo carregados a cada minuto, como discernimos quem e em que confiar? Algumas agências de notícias ainda se debatem com esse desafio.

Validar um conteúdo compartilhado nas mídias sociais é uma das bases do jornalismo da Storyful. Cada vídeo e imagem estão sujeitos a um interrogatório rigoroso por parte de nosso time. Tal como diz o intransigente escudeiro Bill de Vasher, no filme A Firma, de 1993: “Eu sou pago para suspeitar de coisas que não têm nada de suspeito”. Com tanta informação disponível gratuitamente online, nós temos que adotar esse ceticismo natural para cada informação que descobrimos na internet.

Ficar mais perto da fonte

Geralmente o conteúdo compartilhado online é duplicado de uma fonte original. As imagens às vezes são divididas e cortadas, as descrições, os títulos e as datas de carregamento dos vídeos podem mudar. A tecnologia de comparação de imagens nos permite encontrar a primeira aparição do vídeo. Examinar os dados embutidos em uma imagem costuma trazer mais informações. E ao identificarmos palavras-chave para procurar nos mecanismos de busca, geralmente encontramos o primeiro upload do vídeo ou da imagem.

Uma vez que a fonte é identificada, avaliamos a pessoa tal como o jornalismo tradicional faria com qualquer fonte. Nos engajamos com ela e investigamos suas pegadas digitais. Essas pegadas, na verdade, fornecem mais informações do que as fontes “tradicionais”. Tomemos como exemplo um vídeo no YouTube. Algumas das perguntas que fazemos são:

  • Onde essa conta está registrada e onde a pessoa está baseada, julgando-se por seu histórico?
  • Existe outras contas – Twitter, Facebook, blogue ou website – associadas a esse usuário? Que informação existe para indicar sua confiança, parcialidade, interesses e localização recente?
  • Há quanto tempo existe essas contas? Quanto ativas elas estão?
  • Eles escrevem em gírias ou dialetos que correspondam aos da narração do vídeo?
  • A pessoa está na lista dos guias locais? Seus círculos sociais online indicam que ela está perto dessa história ou lugar?
  • O usuário usa vídeos de outras fontes de notícias e outras contas do YouTube ou ele somente faz upload de conteúdos criados por ele mesmo?
  • Os vídeos dessa conta têm qualidade consistente?
  • As descrições do vídeo são consistentes e de um lugar específico? Eles têm data? Eles têm extensões tais como .AVI ou MP4 no título do vídeo?
  • Conhecemos essa conta – seus conteúdos e reportagens foram confiáveis no passado?

Corroborar o conteúdo

Responder essas perguntas imprime às fontes um senso de confiança e envolver-nos com elas reforçam esse senso. Num próximo passo, avaliamos o próprio conteúdo. De novo, nos perguntamos as coisas mais óbvias – o vídeo faz sentido diante do contexto em que ele foi filmado? Há algo nele que abale nosso instinto jornalístico? Há algo que parece fora do lugar, há alguma pista que sugira que ele não seja legítimo? Nós sempre miramos nosso olhar para além do foco principal do vídeo:

  • É possível identificar essa filmagem geograficamente? Há paisagens ou detalhes topográficos que nos permitam verificar esse lugar via Google Maps ou Wikimapia?
  • O detalhe das ruas combina com as fotos de geolocalização do Panoramio ou do Google Streetview?
  • As condições do tempo batem com os relatórios do clima daquele dia?
  • As sombras combinam com a hora do dia em que esse evento aconteceu?
  • As placas dos carros e as fachadas dos prédios dizem algo sobre o estado ou o país?
  • O vídeo combina com outros vídeos ou imagens que as pessoas daquele lugar também colocaram no ar?
  • Que informações adicionais o time Storyful tem sobre essa informação ou história?

Sabedoria na multidão

As perguntas acima podem ser amplamente respondidas pela investigação de nosso time e geralmente isso é suficiente. Mas, como nos diz Clay Shirky em  uma comparação entre a mídia online e a tradicional, a internet é fonte não só de nova informação, mas também de coordenação. Por propósitos de validação, submetemos os vídeos a expertos para que discutam e, eventualmente,   desmascararem vídeos com algumas perguntas extras:

  • O que a comunidade com a qual estamos falando diz a respeito do vídeo?
  • Os dialetos e sotaques podem ser identificados para indicar a localização do vídeo?
  • O vídeo combina com os eventos que foram reportados naquele dia (por meio de listas de Twitter, agências de notícias e noticiários locais)?
  • Há outras pistas que indicam autenticidade?

Na Storyful nós nos relacionamos publicamente e em privado com as fontes no Facebook, YouTube, Skype, Twitter e outros meios. Fazemos o mesmo com outros grupos de mídia que têm seus próprios expertos e fontes, compartilhando e interrogando publicamente o conteúdo em um processo colaborativo.

Um exemplo recente de esforço coletivo envolveu um vídeo no qual a força de segurança síria teria enterrado vivo um morador de al-Qusair, Homs. Storyful passou algumas horas avaliando as evidências que apareciam na filmagem, aproveitando-se de conselhos de observadores altamente experientes sobre a Síria (leia nossa análise aqui). Nós tínhamos dúvida sobre a pessoa responsável pela conta do Facebook onde esse vídeo apareceu e, além disso, ativistas sírios disseram que o vídeo lhes parecia um pouco estranho. Conversas com jornalistas do Daily Telegraph, das Mídias Sociais da BBC e UGC Hub e da NPR ajudaram a colocar outras nuances sobre o vídeo. A análise do áudio, feita por uma fonte síria, indicava que as vozes do vídeo estavam “estranhamente alinhadas, tendo em conta a distância entre as pessoas filmadas”. Embora a investigação tenha sido inconclusiva, houve bases sérias para se duvidar da autenticidade do vídeo, e aconselhamos nosso cliente a não publicá-lo.

Para que o jornalismo ainda tenha valor, é vital que as fontes e as informações – online ou físicas – sejam submetidas a um escrutínio. Há valor em se fazer isso certo. Storyful trabalhou junto com o Channel 4 para validar cerca de 40 vídeos do YouTube que mostravam a tortura de civis pelas forças de segurança no documentário  Syria’s Torture Machine, que foi ao ar em dezembro de 2011. O programa fez com que o pai da primeira-dama enviasse um e-mail com instruções sobre como responder a esse documentário. Um ofício escrito pela Embaixada da Síria no Reino Unido no dia seguinte era quase idêntico ao que ele havia escrito.

Pouco mudou na Síria, mas o exemplo do Channel $ mostra que as mídias sociais podem forçar um regime autoritário como o sírio a dar uma resposta. E, ao validar evidências sobre abusos de direitos humanos, esperamos que os responsáveis sejam julgados.

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Publicado em: junho 14, 2012 | Nenhum Comentário

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Liberdade de Expressão em Debate é um projeto de pesquisa do Programa Dahrendorf para o Estudo da Liberdade de Expressão, do Colégio St Antony's na Universidade de Oxford. www.freespeechdebate.ox.ac.uk